terça-feira, 10 de setembro de 2013

Sonho e ciúme



Mamãe está grávida, e Bom parece gostar da ideia de ter mais um irmão, mas às vezes ele se revela. Outro dia, acordou chateado, disse que tinha sonhado uma coisa muito horrível e que não ia contar. Mamãe consegue convencê-lo e ele acaba dizendo que tinha sonhado que o Dadá e ele tinham morrido. A mãe, procurando apaziguá-lo, diz:
- Mas tu sabes que eu tenho um livro de interpretação de sonhos? E ali diz que, na verdade, quando sonhamos com a morte de alguém, significa que essa pessoa vai viver muito, muito tempo. Então, tu e o Dadá vão ter muitos anos de vida.
Ele confessa:
- Sabe, eu já sonhei que tu tinhas morrido, que o Conrado tinha morrido...
E emenda, revelando o ciuminho:
- Só não sonhei que o nenê tinha morrido...

Filtro dos sonhos




 
Bom se queixava de pesadelos, e mamãe e Dadá compraram para ele um filtro dos sonhos, que colocaram na porta do quarto. Psicologia certeira: ele não teve mais sonhos ruins. Mas, outro dia, o filtro quebrou e ele novamente disse que estava tendo pesadelos.
O mano Conrado confirmou o diagnóstico:
- O filtro dos sonhos não ‘tá mais funcionando, mãe!
Bom concorda:
- Tenho que comprar um maior, porque já cresci.
Mamãe inventa:
- Ele deve ser do tamanho do nariz da pessoa.
Bom, percebendo a mentirinha branca da mamãe e já fazendo relação direta entre tamanho de nariz e mentira, lasca:
- Ah, é do tamanho da mentira, então!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

E como baixar a foto pro computador???



Hoje, quarta-feira, Bom foi passear de catamarã com vô Ed. Os dois foram até Guaíba, comeram sorvete e se divertiram. Na volta, vovô tira fotos com o celular. 
Quando chegam em casa, vovó pergunta como foi o passeio, ele mostra as fotos e explica que, a certa altura, a bateria do celular acabou. 
“Daí, um sol lindão lá fora, e não dava mais pra fotografar. Mas, como eu sou uma pessoa rara, tenho memória fotográfica, olhei pro sol e – Click! – na minha cabeça, fotografei. Agora só eu posso ver essa foto.”

Discurso irretocável



Bom e família estavam na praia, desde 31 de dezembro. Voltaram domingo passado, e no mesmo dia vó Tetê e vô Ed foram vê-los, pra espantar um pouco a saudade. Chegando, a vó se espanta em ver como Bom e Conrado estão bronzeados. E como Bom parece mais crescido, um homenzinho. E disso ele dá mostras, em seguida, com um discurso impecável. Ele come um sorvetão cheio de adereços por cima, inclusive merengues. Vovó se serve de uma bola de sorvete e coloca um solitário merengue para decorar. Ele, que já começara a comer o seu, se aproxima e adverte: 
“- Eu te recomendo comer o merengue por último. Ele gruda nos dentes da gente e, como tu usa aparelho, vai grudar no teu aparelho... “
A vovó só pode acatar o conselho, seriíssimo...

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Estereótipo completo



     No domingo passado, Bom, Dadá e Mamãe estavam brincando no quarto. A partir de alguma coisa que Mamãe falou, Bom quis saber o que era “tia”. 
     Mamãe tenta explicar: 

     - “Ah, tias são aquelas mulheres mais velhas, que não têm filhos, não têm família, e vivem 
sozinhas”.

     Bom completa, no mesmo instante: “Ah, sim, e que têm um monte de gatos dentro de casa...”

O maior prêmio



     No dia 28 de setembro, vó Tetê participou da final regional do Festival da Canção Francesa, um evento que premiou três primeiros colocados, entre 11 concorrentes. No teatro Dante Barone, da Assembléia, família e amigos torciam. Mas no vídeo que o tio Stefan gravou, e que a gente olhou depois, só se ouve a vozinha do Bom, dizendo: Tetê! Tetê! Tetê! 
     Ao final, ele, nervoso, aguardava o resultado com alguma certeza de que iriam chamar o nome da vó. Ao ver que os 3º, 2º e 1º lugares foram levados ao palco e a vó não estava entre eles, chorou muito, inconformado. Depois, foi ao palco consolar a vó, abraçando-lhe as pernas com força. Passou o restante da noite dirigindo olhares e gestos carinhosos pra vovó. 
     Quem disse que a vovó não ganhou o melhor prêmio?

sábado, 4 de agosto de 2012

Reflexões ao vento...


Mamãe, Bom e Conrado estão na estância da Vó Kika. Mamãe enviou uma linda história:

Ontem o Bom me pediu para aprender a andar a cavalo sozinho. Hesitei, mas acabei acreditando que ele era capaz.
Ele, corajoso, montou com minha ajuda, meio desajeitado, segurou firme as rédeas e, com atitude, bateu os pezinhos na pança do cavalo e saiu a trote, como se aquilo lhe fosse natural. Fiquei orgulhosa e ao mesmo tempo assustada com seu amadurecimento.
Passou as próximas horas do dia "treinando" para poder sair pro campo...
 

 AO FINAL DO DIA...

Bom:
- Mãe, vamos sair pro campo, já estou pronto!
- Será, meu filho?... Melhor esperarmos até amanhã, tu podes treinar mais.
- Não, mãe, eu sei que estou pronto.
- Então, vamos lá.

Saímos para o campo, cada um com seu cavalo, lado a lado...
Bom começa a ficar para trás... Paro  para esperá-lo e escuto sua voz, em uma intensa reflexão:

"Eu estou aqui...
sozinho em um cavalo...
minha mãe ao meu lado...
neste campo, neste vento....
Acho que estou gostando muito disso..."

Fiquei sem palavras e sem saber definir meus sentimentos naquele
momento, um misto de amor e gratidão, de orgulho e surpresa.